Receber pela Vetto enquanto a Receita Federal cobra 27,5% como pessoa física não faz sentido, e quase sempre é possível reduzir essa alíquota para 6 a 9,75% com um CNPJ no Simples Nacional. Este guia cobre o essencial: qual tipo de empresa abrir (MEI ou LTDA), qual CNAE escolher para pagar menos imposto, como funciona o Fator R, e como se dá o pagamento da Vetto na sua PJ (o time BR recebe em real direto, via Rippling, sem invoice em inglês nem contrato de câmbio). No fim do artigo há uma seção dedicada à burocracia de trabalhar com clientes pagando em dólar diretamente, para quem complementa a Vetto com receita externa.
Por que abrir CNPJ para trabalhar pela Vetto
Você entrega tarefas pela Vetto e recebe em real direto na sua conta. A Vetto paga o time brasileiro via Rippling (a plataforma de payroll e contractor payments que ela utiliza para operar globalmente). Como pessoa física, esse rendimento entra na sua declaração anual e é tributado pela tabela progressiva, com alíquota máxima de 27,5% sobre o que excede R$ 4.664/mês. Se a Vetto paga R$ 7.500/mês, isso representa cerca de R$ 1.000 de imposto por mês.
Como PJ no regime correto, a mesma renda paga entre R$ 450 e R$ 730 de imposto por mês. A economia anual cobre o custo da contabilidade várias vezes.
O MEI é o ponto de partida natural: baixo custo, baixa burocracia, formalização rápida. Mas tem duas restrições que afetam quem é tech: o limite de R$ 81 mil/ano de faturamento e a lista restrita de CNAEs permitidos.
MEI ou LTDA: qual abrir para a Vetto
A escolha não é “qual é melhor”, é “qual se encaixa no que você faz”.
MEI faz sentido se
- Você fatura até R$ 81 mil/ano somando Vetto e qualquer outro cliente
- Sua atividade se enquadra no CNAE 6204-0/00 (Consultoria em tecnologia da informação), o mais comum para dev MEI desde 2018
- Você não precisa de mais de um funcionário CLT
- Você quer pagar um boleto fixo por mês (DAS, em torno de R$ 81/mês em 2026) e ter cashflow previsível
O MEI é aberto em 15 minutos, sem custo. A ressalva é o teto de faturamento: se você fatura R$ 7.500/mês pela Vetto e algo mais por fora, estoura os R$ 81 mil em aproximadamente nove meses. A partir desse momento é necessário migrar para ME (Microempresa) no Simples Nacional. E se o estouro for acima de 20%, a migração é retroativa.
LTDA (SLU) faz sentido se
- Você fatura ou pretende faturar acima de R$ 81 mil/ano
- Você quer prestar serviço com CNAE 6201-5/00 (desenvolvimento de software customizável) ou 6202-3/00 (desenvolvimento e licenciamento de software customizável), que não cabem no MEI
- Você quer separar patrimônio pessoal do empresarial (em caso de dívida da empresa, sua casa e seus investimentos pessoais ficam protegidos)
- Você quer flexibilidade para escolher entre Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real
A LTDA-SLU (Sociedade Limitada Unipessoal) é o formato moderno para o profissional solo: um único sócio, sem necessidade de incluir um segundo nome só para completar a quota. Pode ser aberta com capital social baixo (R$ 1.000 já basta) e oferece a flexibilidade que o MEI não tem.
A importância do CNAE certo
Existem mais de 1.300 CNAEs no Brasil. O CNAE não é detalhe burocrático: ele orienta fiscalização, obrigações acessórias e até a viabilidade comercial com clientes que exigem fornecedores corretamente enquadrados.
E, principalmente: o CNAE define em qual Anexo do Simples Nacional você cai, e o Anexo define quanto você paga de imposto.
Para quem entrega tarefas técnicas remotas (o caso típico Vetto), os dois CNAEs mais comuns são:
| CNAE | Descrição | Anexo do Simples | Alíquota inicial |
|---|---|---|---|
| 6202-3/00 | Desenvolvimento e licenciamento de software customizável | Anexo V | 15,5% |
| 6202-3/00 | (mesmo CNAE) com Fator R aplicável | Anexo III | 9,75% |
| 8299-7/99 | Outras atividades de serviços às empresas | Anexo III | 6% |
A mesma atividade real (revisar código, validar respostas de IA, fazer análise técnica para a Vetto) pode se encaixar em CNAEs diferentes. A decisão depende:
- Da atividade principal da empresa: se você desenvolve software, é 6202; se você presta serviço de análise ou consultoria técnica sem entregar código próprio, 8299 pode caber
- Da composição de receita futura: se você quer atender outros clientes além da Vetto, escolha o CNAE que se encaixa nesses cenários
- Da aplicabilidade do Fator R: só faz diferença para o CNAE 6202
Escolher errado custa dinheiro. A diferença entre 15,5% e 6% sobre R$ 100 mil/ano representa R$ 9.500/ano.
Fator R: como cair do Anexo V para o Anexo III
Se você escolheu o CNAE 6202-3/00 (porque desenvolve software de fato), é possível pagar 9,75% em vez de 15,5%.
A regra do Fator R considera dois números dos últimos 12 meses:
- Folha de pagamento + pró-labore + INSS pago sobre essa folha
- Receita bruta total
Se a razão entre o primeiro e o segundo for ≥ 28%, a atividade migra do Anexo V para o Anexo III. Para o dev PJ que retira praticamente tudo como pró-labore (sem funcionários, sem grandes custos), o Fator R é automático.
Exemplo prático: você fatura R$ 12 mil/mês pela Vetto e retira R$ 4 mil como pró-labore. Razão = 33%. Você cai no Anexo III e paga 9,75% em vez de 15,5%.
A Selvia calcula isso todo mês e ajusta o pró-labore caso você esteja próximo do limite.
Os 3 regimes tributários (e por que o Simples vence)
No Brasil existem três regimes principais. Para praticamente todo profissional Vetto, o Simples Nacional é a resposta:
- Simples Nacional: alíquota única que reúne vários impostos em uma única guia (DAS). Limite de faturamento: R$ 4,8 milhões/ano. Praticamente todo dev PJ se enquadra aqui.
- Lucro Presumido: começa a fazer sentido acima de aproximadamente R$ 30 mil/mês com margem alta, ou para atividades em que o Anexo V do Simples eleva demais a alíquota.
- Lucro Real: destinado a empresas grandes, com obrigação acessória pesada. Pode ser desconsiderado por quem está começando.
Dentro do Simples, o que importa é em qual Anexo o seu CNAE cai, e isso retorna à tabela acima.
Como funciona o pagamento da Vetto: via Rippling, em real
A Vetto se distingue de uma operação puramente “do exterior”. A empresa tem time global, mas para pagar o time brasileiro utiliza a Rippling, plataforma de payroll e contractor payments que faz a ponte entre a operação dela e a sua conta PJ. Na prática:
- A Vetto registra você como contractor na Rippling com seu CNPJ
- A cada ciclo de pagamento, a Rippling realiza uma transferência em real direto para a sua conta PJ
- Você emite NFS-e nacional para a entidade brasileira da Vetto (CNPJ e razão social você confirma com a equipe na primeira vez)
- A apuração mensal do Simples segue normal: receita em real, alíquota do anexo do seu CNAE
Em comparação com um cliente PJ no exterior pagando direto em dólar, esse fluxo é mais simples:
- Sem invoice em inglês: a emissão é apenas da NFS-e brasileira
- Sem conta em dólar: não é necessário abrir Wise, Avenue ou Nomad PJ
- Sem contrato de câmbio: o real chega direto, sem operação no Banco Central
- Sem DCBE: essa obrigação é só para quem tem ativos no exterior acima de US$ 1 milhão
O que a Selvia executa nesse fluxo:
- Emissão da NFS-e mensal para a entidade brasileira da Vetto
- Conciliação entre os depósitos via Rippling e o seu DRE
- Apuração do DAS conforme o anexo do seu CNAE
- Pró-labore mensal calculado para manter o Fator R quando aplicável
- Declarações anuais (DEFIS, DIRPF)
Trabalhar com clientes no exterior: a burocracia completa
Esta seção foi pedida explicitamente pela equipe Vetto para os profissionais que complementam a remuneração da Vetto com clientes no exterior pagando direto em dólar. Esse cenário é tecnicamente exportação de serviço, um regime bem diferente do fluxo nacional da Vetto via Rippling. Abaixo, o que você precisa saber.
Por que exportação de serviço é vantajosa
Quando o tomador do serviço (seu cliente) está fora do Brasil e o resultado do serviço é usufruído fora do Brasil, a operação se enquadra como exportação. Os benefícios:
- ISS isento na maioria dos municípios grandes: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis. O ISS pesa de 2 a 5 pontos da alíquota efetiva do Simples; sem ele, você economiza esse valor mês a mês.
- Sem retenção na fonte brasileira: cliente PJ no exterior não tem obrigação de reter IRRF nem ISS. O dinheiro entra cheio na conta.
- CSLL/IRPJ não muda: esses componentes federais do Simples são pagos normalmente.
Conta multimoeda: onde receber o dólar
Você não pode receber dólar diretamente em conta PJ tradicional brasileira. É necessária uma estrutura que faça o câmbio. Quatro opções práticas:
- Wise Business: recebe dólar em conta US, converte para real quando você quiser, taxa de 0,3% a 0,6% sobre o câmbio comercial. Adequado para fluxo de até US$ 50 mil/mês.
- Avenue PJ: similar, com integração brasileira mais robusta. Suporte em português, compliance local.
- Nomad PJ: também conta multimoeda, app em português, câmbio competitivo.
- Banco tradicional (Itaú, Bradesco, Santander PJ): funciona, mas com spread maior. Vale se você já tem relacionamento estabelecido.
Em qualquer caminho, a operação gera um contrato de câmbio registrado no Banco Central a cada conversão de dólar para real. Esse documento é a comprovação oficial da origem do dinheiro. Guarde-o para a Receita Federal.
Emissão da NFS-e de exportação
A nota fiscal precisa ser emitida com a marcação correta de exportação. Os passos:
- Acesse o portal de NFS-e da sua cidade. Em São Paulo, é o NFe.com.br (Nota Fiscal Eletrônica do Município).
- Selecione o código de serviço correspondente à sua atividade. Para dev, os mais comuns são 1.05 (Desenvolvimento de softwares) e 1.07 (Suporte técnico em TI).
- Marque a opção “Exportação de Serviço”. Em SP, é um checkbox no momento da emissão. Sem essa marcação, a nota é tratada como serviço nacional e a isenção de ISS se perde.
- Preencha o tomador com os dados completos do cliente no exterior: razão social, endereço, país. Não utilize CPF ou CNPJ brasileiro de eventuais sócios do cliente.
- Informe o valor em real, pelo câmbio do dia da prestação do serviço (não da data do recebimento). Existem ferramentas que automatizam essa conversão.
- Descreva o serviço em português, de forma objetiva, indicando o que foi prestado.
Invoice em inglês para o cliente
Além da NFS-e brasileira, é prática profissional enviar um invoice em inglês ao cliente estrangeiro. Ele frequentemente precisa do documento para registro contábil local e para liberar o pagamento. O invoice contém:
- Razão social e endereço da sua PJ
- CNPJ e número da NFS-e brasileira de referência
- Descrição do serviço em inglês
- Valor em USD (ou moeda do contrato)
- Datas de prestação
- Dados bancários para recebimento (conta multimoeda)
A Selvia gera o invoice com o seu logo, vinculado à NFS-e brasileira correspondente.
Câmbio e fechamento da operação
Quando o dinheiro entra em dólar, você precisa decidir quando converter para real. O câmbio é uma operação cambial regulada pelo Banco Central:
- Até US$ 50 mil por operação: fechamento simplificado, feito direto pela plataforma (Wise, Avenue, Nomad fazem isso automaticamente)
- Acima de US$ 50 mil: requer documentação adicional e classificação no SISBACEN. Para a maioria dos profissionais Vetto isso não se aplica, mas é importante conhecer
Toda conversão gera um contrato de câmbio com um número de registro do Banco Central. Esses contratos devem ser guardados junto da escrituração contábil.
Escrituração e apuração do Simples
A receita do mês é o valor em real convertido pelo câmbio da data da prestação do serviço, não pela data do recebimento ou da conversão. Isso vai para o DRE da sua PJ e entra na base do DAS do mês seguinte. Detalhes:
- Variação cambial entre a data da prestação e a data do recebimento gera receita ou despesa financeira que não afeta o DAS do Simples, mas precisa ser registrada
- Saldos em dólar parados em conta multimoeda no exterior acima de US$ 1 milhão geram obrigação de DCBE (Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior). Para a maioria dos profissionais não se aplica
- IRPF do sócio: a distribuição de lucros da PJ continua isenta de IR pessoal, mesmo quando a origem é cliente do exterior
O que a Selvia faz nesse fluxo
Para o profissional Vetto que também tem clientes no exterior diretos, a Selvia organiza tudo em um único CNPJ:
- Emissão de invoice em inglês com o seu logo
- Emissão da NFS-e marcada como exportação corretamente
- Conciliação entre o que entrou em USD e o câmbio comercial do dia
- Apuração do DAS já considerando a isenção de ISS
- Pró-labore mensal calculado para manter o Fator R quando aplicável
- Declarações anuais (DEFIS, DIRPF, DCBE quando se aplica)
Tudo no WhatsApp, sem precisar entrar em portal algum.
O que fazer agora
Se você é profissional Vetto:
- Some o que recebeu da Vetto nos últimos 12 meses. Acima de R$ 30 mil/ano já compensa abrir CNPJ.
- Decida entre MEI e LTDA. Se você quer fluxo simples e fatura abaixo de R$ 81 mil/ano, MEI no CNAE 6204-0/00 funciona. Acima disso, LTDA-SLU.
- Escolha o CNAE com a Selvia. Não é decisão para ser tomada sem critério: a diferença entre 6202 e 8299 (e entre Anexo V e III) é dinheiro real.
- Confirme o CNPJ da Vetto para emissão de NF. Cadastre-se na Rippling como contractor com o seu novo CNPJ; a partir daí o pagamento mensal cai em real na conta PJ.
- Emita a primeira NFS-e. Aqui é onde a Selvia entra: você manda os dados do recebimento pelo WhatsApp e a Selvia emite a nota e cuida da escrituração.
A burocracia brasileira não precisa ser problema seu. Para isso a Selvia existe.