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Simples ou Lucro Presumido para advogado: qual paga menos

Advocacia entra no Anexo IV do Simples, com uma pegadinha na CPP. Veja o ponto de virada pro Lucro Presumido e o ISS fixo que muito escritório não usa.

Por Selvia 4 min de leitura

Resposta rápida

A advocacia entra direto no Anexo IV do Simples Nacional, sem Fator R. A pegadinha é que a CPP, o INSS patronal de 20%, fica fora do DAS e é recolhida à parte, então a conta real é maior que a alíquota da tabela. O ponto de virada pro Lucro Presumido fica entre R$ 1,5 e R$ 2 milhões de faturamento por ano, bem antes do limite de R$ 4,8 milhões. E muitos escritórios deixam de usar o ISS fixo, que o STJ garantiu em 2025 mesmo pra sociedade de responsabilidade limitada. A Selvia simula os dois regimes antes de recomendar.

Por Selvia, contabilidade no WhatsApp para PJs

Escolher entre Simples Nacional e Lucro Presumido é a decisão que mais mexe no imposto de um escritório de advocacia. E na advocacia ela tem detalhes que não existem em outras profissões: um anexo específico, uma contribuição escondida e um ponto de virada que chega cedo. Este post explica como decidir sem cair nas armadilhas.

Advocacia entra no Anexo IV, sem Fator R

A advocacia foi incluída no Simples Nacional em 2014 e enquadrada no Anexo IV. Diferente de médicos, devs e consultores, que dependem do Fator R pra cair no Anexo III ou V, o advogado vai direto pro Anexo IV, sem essa escolha. A alíquota começa em 4,5% pra quem fatura até R$ 180 mil por ano e sobe por faixas até 33% perto do teto.

A pegadinha do Anexo IV: a CPP fica fora do DAS

Aqui está o detalhe que distorce a conta. Na maioria dos anexos do Simples, a contribuição previdenciária patronal já vem embutida na guia única, o DAS. No Anexo IV, não. A CPP, que é o INSS patronal de 20% sobre a folha e o pró-labore dos sócios, é recolhida separadamente, igual ao Lucro Presumido.

O efeito prático é que muito advogado olha só a alíquota da tabela do Simples, acha que está pagando 6% ou 8%, e esquece de somar essa contribuição por fora. A carga real é maior do que parece, e isso muda completamente a comparação com o Lucro Presumido.

Quando o Lucro Presumido passa a valer: o ponto de virada

No Lucro Presumido, o imposto federal incide sobre uma presunção de 32% da receita, o que dá uma carga federal em torno de 11,3% até R$ 240 mil por ano e perto de 14,5% acima disso, mais o ISS.

Somando a CPP que fica de fora no Simples, o ponto de virada do Simples pro Lucro Presumido costuma ficar entre R$ 1,5 e R$ 2 milhões de faturamento por ano. Isso é bem antes do limite legal de R$ 4,8 milhões do Simples. Ou seja, muitos escritórios já deveriam ter migrado e seguem pagando a mais por inércia. O ponto exato depende do tamanho da folha e do ISS, então é caso a caso. Pra entender a lógica geral de regime, vale o guia de planejamento tributário.

O ISS fixo que muito advogado não usa

Tem uma economia que passa despercebida. Sociedade de profissionais como a advocacia pode recolher o ISS fixo por profissional, em valor por sócio habilitado, no lugar do ISS sobre o faturamento, que chega a 5%. Em escritórios com faturamento maior, isso reduz muito o imposto.

A dúvida sempre foi se a sociedade unipessoal de responsabilidade limitada tinha esse direito. Em 2025, o STJ resolveu no Tema 1.323: tem, desde que o serviço seja prestado pessoalmente pelos sócios e não haja estrutura empresarial que descaracterize o caráter pessoal. Onde o município aplica, vale conferir. A ressalva é que, com muitos sócios, o fixo multiplicado pode superar o ISS sobre o faturamento e perder a vantagem.

E o Lucro Real?

Pra advocacia até alguns milhões por ano, o Lucro Real quase nunca compensa. Escritório costuma ter folha enxuta e poucas despesas dedutíveis, então a margem real fica acima da presunção de 32%, e pagar sobre o lucro efetivo sai mais caro. Ele só entra na conta em situações específicas de margem muito baixa.

Como a Selvia decide com você

A Selvia simula Simples Anexo IV, com a CPP por fora, contra o Lucro Presumido com ISS fixo, usando os seus números reais de faturamento e folha. Aí sim dá pra saber qual paga menos e quando vale migrar. E a forma como você recebe os honorários também entra nessa conta, assunto do post sobre imposto sobre honorários. Pra começar, rode a calculadora de impostos ou veja a página da Selvia para advogados.

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Perguntas frequentes

Em qual anexo do Simples a advocacia se enquadra?

No Anexo IV. A advocacia entrou no Simples em 2014 e vai direto pro Anexo IV, sem passar pelo Fator R, então não tem a escolha entre Anexo III e V que outras profissões têm. A alíquota começa em 4,5% e sobe conforme o faturamento.

O que é a pegadinha da CPP no Anexo IV?

No Anexo IV, a Contribuição Previdenciária Patronal, o INSS de 20% sobre a folha e o pró-labore, não está incluída no DAS. Ela é recolhida separadamente, como no Lucro Presumido. Muita gente compara só a alíquota da tabela do Simples e esquece desse custo, então a carga real é maior do que parece.

Quando o advogado deve sair do Simples pro Lucro Presumido?

O ponto de virada costuma ficar entre R$ 1,5 e R$ 2 milhões de faturamento por ano, dependendo da folha e do ISS. Isso é bem antes do limite legal de R$ 4,8 milhões do Simples, então muitos escritórios já deveriam estar no Lucro Presumido e não estão. O cálculo certo só sai simulando os dois.

Advogado tem direito a ISS fixo?

Tem. Em 2025, o STJ no Tema 1.323 confirmou que a sociedade uniprofissional, mesmo com responsabilidade limitada, tem direito ao ISS fixo por profissional, e não sobre o faturamento. Onde o município aplica, isso reduz bastante o imposto, principalmente em faturamentos maiores. A partir de muitos sócios, o fixo pode perder a vantagem.

Lucro Real vale a pena pra advogado?

Raramente. Escritório de advocacia costuma ter folha pequena e poucas despesas dedutíveis, então a margem real fica acima da presunção de 32%, o que torna o Lucro Real desvantajoso. Ele só entra em conta em casos específicos de margem muito baixa.